Depois de algum tempo de férias, eis me de volta. Estava fazendo minha ronda diária de sites e blogs quando me deparei com um termo que eu não conhecia: kitten heels ou salto de gatinho. Então resolvi pesquisar e acabei encontrando um monte de coisas bacanas que transformei em três posts: um sobre a história do salto, um sobre os tipos de salto e outro sobre o kitten heels mesmo.
O de hoje é sobre a história do salto.
Segundo Fábio Marcelo Espíndula, designer de calçados, a história do salto alto se confunde com história dos calçados. Pinturas murais de 3500 anos A. C. no Egito, retratam o que seria uma versão dos sapatos de salto, usados pelas classes mais altas, o que leva a crer que a altura do salto do sapato indicava a posição social delas. Sapatos de salto também foram encontrados em tumbas datadas de 1000 anos A. C. O salto também foi sinônimo de status na Grécia antiga. Segundo historiadores, nas peças de Ésquilo, primeiro grande autor de tragédias, os atores usavam saltos de plataformas de diferentes alturas para indicar a posição social dos seus personagens.
No Oriente, o salto carregava uma conotação de sensualidade e sexualidade. As cortesãs japonesas usavam tamancos de saltos que variavam de 15 a 30 cm. As concubinas chinesas e as odaliscas turcas também usavam sandálias altas. Além disso, na Roma Antiga, as prostitutas eram identificadas pelos saltos que usavam.
O salto como nós conhecemos hoje teve sua descoberta atribuída a Catarina de Médici. Ao sair de Florença rumo a Paris para se casar com futuro Henry II, da França, ela levou na mala vários calçados com saltos, feitos por um artesão italiano. Com isso, nos séculos XVII e XVIII o salto se tornou marca de status social, sendo usado por homens e mulheres ricos. Só quem tinha posição social privilegiada podia usá-los.
O salto alto chegou à América por volta de 1800, através de garotas francesas que vieram fazer shows em casas noturnas de New Orleans. O fato de elas fazerem mais sucesso com os clientes fizeram com que os saltos fossem de vez associados à sedução, se tornando uma poderosa arma para as mulheres no jogo da conquista.
Em 1900, o preconceito com os saltos, devido à sua imagem sensual ainda existia, mas, depois da Primeira Guerra o cenário começou a mudar de figura. Se antes, por pudor, eles ficavam restritos ao uso doméstico, com o desenvolvimento da economia eles passaram a ser produzidos em maior escala e ganharam as ruas. As mulheres começaram a ter acesso há vários modelos de calçados e os saltos passaram a ser usados também para dançar.
Com a Grande Depressão, nos anos 30 e a Segunda Guerra Mundial, os saltos caíram novamente no desuso. Com o racionamento do couro, a produção de sapatos diminuiu consideravelmente. Foi aí que surgiu o salto anabela. O designer italiano Salvatore Ferragamo desenvolveu um salto feito de cortiça, que se tornou moda e se perpetuou, sendo copiado por diversos estilistas.
Anabela Salvatore Ferragamo: http://milpares.wordpress.com/2010/07/27/anabela-porque-sim/
Em 1955, Roger Vivier, que trabalhava para Dior, aperfeiçoou um salto que já vinha sendo desenvolvido pelos italianos Del Co e Albanese e criou o salto stiletto ou como conhecemos: o salto agulha. Esse salto se tornou objeto de consumo das estrelas de Hollywood transformando- o em sinônimo de “sex appeal”, o que é vigente até nos dias de hoje.
Marilyn salto: http://dospesacabeca.com.br/?p=547
Curiosidade: o sapato usado por Marilyn Monroe nessa cena antológica foi feito por Salvatore Ferragamo. Os anos 60 foram marcados pela introdução de materiais sintéticos na fabricação dos calçados e os 70 pelo uso de botas com plataformas altíssimas. Nos anos 80, o salto stiletto teve a sua imagem associada ao sucesso e competência ao ser usado em grande escala por executivas de Wall Street. Ele virou sinônimo de poder.
Salto agulha: http://melissamazz.blogspot.com/2010_11_01_archive.html
De lá pra cá, a importância do design e da marca de um sapato só aumentou. O status de um salto não está mais na sua forma, mas em quem o criou e quem o comercializa. Vide a sola vermelha de Louboutin.
Fontes: www.salto15.com.br, http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/historia-dos-saltos-dos-calcados-748850.html, http://www.mulherdigital.com/sapato-historia-dos-saltos/, http://www.artigos.com/artigos/humanas/historia/historia-dos-saltos-dos-calcados-5434/artigo/
Nana



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